PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA 1/3

abril 01, 2016 José Villamur 0 Comments

         PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA

Neste artigo sem pretender entrar em detalhes técnicos construtivos como fórmulas, números, etc, tenho como objetivo esclarecer as partes da boquilha, suas funções e a influência que têm na emissão do som. Vão perceber a interação e sinergia entre as partes e as inúmeras combinações possíveis para produzir diferentes tons, vou seguir a nomenclatura já descrita no artigo ESTRUTURA e NOMENCLATURA da BOQUILHA.

TIP CONTOUR (CURVA DA PONTA)

A curva da ponta da boquilha deve ser a mesma da curva da palheta, pois na vibração da palheta quando esta encontra a boquilha deve haver uma perfeita superposição, caso contrário haverá vazamento de ar e perda do controle da emissão do som.
            
TIP RAIL (TRILHO DA PONTA)


O trilho da ponta é uma faixa plana de pequena largura onde a palheta sela quando vibra e encontra a boquilha (parte da curva da ponta virada para a palheta) as suas pontas tem continuidade para os trilhos laterais e tem significativa influência na resposta da boquilha, se muito largo o som tende a morrer se muito fino o som tende a chiar. Existe uma correlação entre a largura do trilho da ponta a espessura da curva da ponta e a espessura da ponta da rampa que vamos esclarecer nos artigos seguintes.
                                    
SIDE RAILS (TRILHOS LATERAIS)

Os trilhos laterais são aqueles onde a palheta sela de cada lado da janela, eles tem uma parte plana que faz parte da mesa e uma parte curva que faz parte da (FACING CURVE) Curva de Face. A largura deles tem menos importância que a do Tip Rail, se a janela for ampla eles mais finos ou mais largos não influenciam muito, os trilhos laterais grossos favorecem músicos em desenvolvimento, pois tendem a impedir um som estridente e propiciam um fluxo de ar mais resistente.
                                       

WINDOW (JANELA)

A janela é a área aberta entre os trilhos laterais o trilho da ponta e a mesa. A variação que existe é uma janela mais longa, esta vai somente aumentar não significativamente a câmara, a variação do comprimento das janelas tem mais a ver com fator estético ou processo de produção. No sentido transversal só tem a ver com a largura dos trilhos laterais.
                                        


















Considerando boquilhas de clarinete elas tem um formato reto padronizado 



WALLS OUTSIDE (PAREDES DE FORA)

As paredes de fora são uma opção anatômica do fabricante ou processo de produção, podem ser mais estreitas (retas) ou mais largas (abertas). A única influência no som seria maior ou menor quantidade do material utilizado no projeto.

       A IMAGEM ANTERIOR A ESQUERDA ILUSTRA TAMBÉM ESTE ITEM

WALLS INSIDE (PAREDES INTERNAS)

As paredes internas são as opostas às externas estão entre o fundo da boquilha e os trilhos laterais, são geralmente concavas ou retas, sua influência está na formação da câmara e depende de cada projeto, as retas tendem a produzir um som mais centrado e projetado as concavas um som mais volumoso e escuro.
                                        











LIGATURE LINES (LINHAS DA ABRAÇADEIRA)

As linhas da abraçadeira na verdade são apenas referências para o lugar da abraçadeira, normalmente ela é assentada no meio do comprimento da casca da palheta, como a mesa se estende bem mais para frente desse ponto teoricamente não há uma influência direta no som. Alguns músicos entendem que colocando a abraçadeira mais para traz, a palheta fica com mais liberdade para vibrar (Dexter Gordon), eu particularmente entendo que possa haver alguma variação, mas mais em função do conjunto escolhido de boquilha, palheta e abraçadeira. Não existe uma regra, o músico deve testar e encontrar sua melhor posição.

MATERIAL (MATERIAL)

Como regra geral materiais mais macios produzem som mais escuro com menos projeção e materiais mais duros produzem som mais brilhante com mais projeção. Os mais usados são Hard Rubber(Ebonite) e Bronze, mas há uma grande variedade de materiais e ligas de materiais usados em boquilhas à disposição dos músicos.

AERODYNAMICS (AERODINÂMICA)

Embora não seja especificamente uma parte da boquilha, mas sim um acabamento interno, eu particularmente considero que a aerodinâmica exerce influência na emissão do som, existem boquilhas que apresentam significativos obstáculos à fluência do ar por ela, a partir da curva da ponta, na ponta da rampa, na garganta, nas paredes interiores, no defletor e de modo geral na parte interna da boquilha. Entendo que todo acabamento interno deve ser liso e até polido, com curvas e contornos suaves na direção do fluxo do ar.


NA PRÓXIMAS DUAS POSTAGENS VAMOS CONCLUIR OS ITENS FALTANTES DO ARTIGO, ESTRUTURA E NOMENCLATURA DA BOQUILHA.

0 comentários: