BOQUILHA REFACEADA

Olá amigos, apresento nesta publicação informações que irão elucidar e orientar as dúvidas sobre:

BOQUILHA REFACEADA 

Vamos iniciar com um comentário sobre boquilhas originais de fábrica.
Como pude observar e comentar com colegas REFACERS fora do Brasil, percebo que aqui também como lá, boquilhas produzidas em série e distribuídas às lojas sem um controle de qualidade final individual, têm um significativo percentual de unidades com medidas fora do padrão e pode-se dizer que acontece praticamente com todas as marcas famosas e conhecidas.

Isso deve-se a vários fatores, um deles é o fato que são produzidas em tornos de precisão intermediária, porque um torno para produzir peças na precisão que uma boquilha perfeita exige, teria um custo desproporcional ao valor de venda do produto acabado, alem do fato que desgastes do equipamento alteram medidas que tem precisão de décimos/centésimos de milímetros, como também a fricção das ferramentas em alta rotação ocasionam um aquecimento nas boquilhas em fabricação aumentando seu tamanho e depois de terminadas quando desaquecem, reduzem seu tamanho apresentando alteração nas dimensões.

Comprar uma boquilha bem regulada ficou parecido com palhetas de bambu, algumas são boas outras não, então abriu-se um nicho no mercado para REFACERS que produzem suas boquilhas (em tornos ou fundidas), mas as finalizam e regulam manualmente uma a uma, tornando-as confiáveis.
Poderia citar Fred Lebayle, Rafael Navarro, Theo Wanne, Brian Powell(café), Mojo (vortex) entre outros.

Abaixo apresento desenhos que servirão de base para toda a matéria. Alguns conceitos já foram comentados anteriormente, mas é conveniente revê-los porque indicam dimensões que não se consegue notar nas boquilhas sem equipamentos específicos.

Os desenhos estão em proporções diferentes justamente para melhor esclarecer as considerações.

Acima o desenho de uma boquilha em corte com uma curvatura elíptica onde o raio maior R1 está numa proporção de 11,25 vezes maior que o raio R2 da elipse. Essa proporção é um exemplo, pode ser qualquer proporção.
Então que medidas de raios (ou raio no caso de curva radial) e que proporção deve ser escolhida?
Eis a questão, essa escolha se baseia em experiência, conhecimento da estrutura de uma boquilha, troca de informações, estudo de estatísticas, tentativas erro e acerto, conhecimentos matemáticos, feeling, sensibilidade pessoal, conceito moderno de tendência sonora, testes, comparações, etc, etc, essa escolha é a assinatura de um REFACER.
Essa escolha é inserida em programas de computador (engendrados pelo REFACER) que irão determinar quais as dimensões matematicamente corretas e mais harmoniosas para uma determinada boquilha, levando em consideração o material, o tipo de sax, a abertura de ponta a espessura do tip rail, tipo de câmara, tipo de garganta, tipo de baffle, etc.
O resultado será a maior facilidade ou dificuldade na emissão do som favorecendo mais os graves, médios ou agudos (favorecendo não acrescentando ou reduzindo). É aí que aparecerá a diferença do resultado do trabalho de um REFACER.

Nota: graves, médios, agudos, superagudos, rampa, projeção, brilho, garganta, resistência ao sopro etc, são outros procedimentos além do refaceamento.

Acho feliz a comparação de boquilhas com um vinho:

Um vinho francês da região Bordeaux geralmente é composto por 3 tipos de uvas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc.
Os produtores da região usam proporções diferentes de cada uva na produção dos seu vinhos, o produtor A usa 60%,30% e 10% o produtor B usa 50%,25% e 25% o produtor C usa 80%,10% e 10% etc, etc.  
Comparo essa proporção das uvas com a escolha do tamanho dos raios e da proporção entre eles.
Não é só essa escolha que faz um vinho, depende também da composição do solo onde são plantadas as parreiras e do equilíbrio das chuvas durante o crescimento, comparo isso à qualidade do material usado na fabricação da boquilha.
E por ultimo um vinho depende também do conhecimento técnico de quem o produz, assim como a boquilha depende de conhecimento técnico e habilidade de quem a projeta e regula.

Disso resultam vinhos de alta qualidade de qualidade mediana e medíocres, assim como boquilhas. 

                           REFACEAMENTO.

REFACEAMENTO: (ato de refazer a face) é uma alteração das medidas dos elementos da face (facing) como a abertura da ponta, curva, seu comprimento e a mesa, objetivando personalizar e gerar a boquilha ideal para o gosto específico de um músico.

Tenho recebido boquilhas em estado lastimável, onde curiosos tentaram altera-la das mais diversas formas possíveis, tenho ouvido de vários clientes que querem aumentar a abertura mas querem um preço baixo, e dizem o seguinte: "MAS SÓ QUERO DAR UMA LIXADA NA PONTA PARA ABRIR".
Abaixo uma foto de como NÃO se deve proceder para aumentar a abertura de uma boquilha.
 Esse procedimento de lixar a ponta para abrir ocasionará as seguintes consequências:
1- A nova ponta reduzirá o comprimento da boquilha na medida "A", como já publicado em artigos anteriores a câmara da boquilha compensa a retirada do bico do cone imaginário no início do sax para dar lugar a boquilha, quando o comprimento da boquilha é reduzido sem aumentar a câmara para compensar, esse desiquilíbrio vai obrigar a puxar a boquilha para fora do tudel para compensar a redução da câmara, então vai afinar mais na ponta.
2- O bico vai ficar muito fino e cortante, ele tem uma espessura a ser respeitada senão vai alterar a resposta da boquilha.
3-  O comprimento da curva "B" vai ser reduzido para o comprimento "C" alterando significativamente a resposta dos sons graves.
4-  A curva "D" vai ser alterada para a curva "E" desacertando totalmente a curvatura que deve ser harmoniosa, progressiva, gradual e suave.

UM REFACEAMENTO PROFISSIONAL E ADEQUADO NÃO INCORRE NOS ERROS ACIMA CITADOS, É FEITO DE FORMA A IMPLANTAR A ALTERAÇÃO DA ABERTURA COM SUA RESPECTIVA CURVA E COMPRIMENTO IDEAIS CONFORME SOLICITAÇÃO DO MÚSICO SEM ALTERAR DIMENSÕES DA BOQUILHA.

CONCLUSÃO:

MEXER NUMA BOQUILHA COMO SE DIZ, NÃO É ASSUNTO PARA CURIOSOS, EXISTE A NECESSIDADE DE UM AMPLO CONHECIMENTO TÉCNICO, FERRAMENTAS ESPECÍFICAS GERALMENTE FEITAS PELOS PRÓPRIOS REFACERS (PARA UM TRABALHO PROFISSIONAL DE REFACEAMENTO DE BOQUILHAS SÃO NECESSÁRIAS DEZENAS DE FERRAMENTAS E HÁ DISPONÍVEL A VENDA EM TORNO DE MEIA DÚZIA DELAS NO MERCADO). 
A MAIS IMPORTANTE FERRAMENTA É O PROGRAMA DE COMPUTADOR EXCLUSIVO DO REFACER.

CLARO QUE É NECESSÁRIO TER CUIDADO NA COMPRA DE UMA BOQUILHA ALTERADA,(é necessário saber quem alterou e se não foi alterada depois dele!) MAS É FALTA DE CONHECIMENTO GENERALIZAR A PREFERÊNCIA POR UMA BOQUILHA ORIGINAL A UMA REFACEADA, ENTENDO QUE CURIOSOS E AMADORES CONTRIBUÍRAM PARA A CRIAÇÃO DESSE CONCEITO.

REFACERS COM CERTEZA REFACEAM OU PRODUZEM UMA BOQUILHA COM MELHOR RESPOSTA QUE UMA BOQUILHA PRODUZIDA EM SÉRIE.
  

PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA 3/3

CONCLUINDO ESTE ASSUNTO, VAMOS DISCORRER SOBRE AS ÚLTIMAS E MAIS RELEVANTES PARTES DA BOQUILHA.

TIP OPENING (ABERTURA DA PONTA)


Abertura da ponta é a distância entre a palheta e o trilho da ponta (tip rail). Essa distância pode ser medida por polegadas por exemplo .105" ou 2,67mm e no caso da Otto Link 7* (sete e meio) para sax tenor.
Quando digo Otto Link (mais conhecida) quero dizer que outras marcas tem números diferentes que correspondem a esta mesma medida, ou seja 7* da Otto Link (tenor) é 9 na Beechler, é 6*3 na Lakey, é 8 na Meyer metal, é 6* na Ria, é 6 na Rousseau JDX, é H na Selmer, é T75 na Vandoren.
Portanto, minha sugestão é que depois de identificada a sua abertura de conforto, use a unidade milímetro ou polegada porque números ou letras só vão confundir.
Aberturas maiores exigem mais ar para vibrar a palheta e combinam com palhetas mais suaves. Aberturas menores exigem menos ar para vibrar a palheta e combinam com palhetas mais rígidas.
Com pequenas aberturas as notas agudas ou sopro forte tendem a fechar a palheta e se você compensar com palheta mais rígida, vai dificultar a emissão e o controle das notas graves.
Entendo que a melhor opção seria uma abertura meio aberta com palheta meio dura, isso facilitaria a emissão e o controle das notas em toda extensão.
Tendo como referência diversos músicos, percebi que a maioria utiliza um intervalo de abertura variando de 7 a 9 conforme tabela abaixo.

Entendo que o músico deve encontrar uma relação entre abertura da boquilha e rigidez da palheta que seja confortável para seu sopro, sem exigir grandes esforços ou contenções para tocar. 

TIP THICKNESS (ESPESSURA DA PONTA)


É a espessura da parte frontal da boquilha, sua espessura está correlacionada com a espessura do trilho da ponta (tip rail) e com a espessura da ponta da rampa (ramp tip)
Se for muito fino o som tende a chiar e se for muito grosso tende a conter o som.

BEAK (BICO)


Bico é a parte frontal externa superior da boquilha que sobe da ponta ao corpo da boquilha formando uma rampa, é envolvida pela boca e lábios enquanto você toca.
Essa rampa deve ter um angulo de elevação adequado para a embocadura ser eficiente nas notas graves e agudas. 
Embora seja uma escolha pessoal tenho percebido que a maioria dos músicos prefere essa rampa com um angulo em torno de 19º.
Não menos importante é a curvatura transversal que será incômoda ser for muito reta ou muito angulada.

FACING (FACE)

Vamos utilizar a figura acima e começar falando do facing (face)
A face á toda a parte frontal da boquilha que contém a mesa (table) e a curva de face (facing curve), o comprimento da curva da curva é que chamamos de facing length (comprimento da curva).

FACING CURVE (CURVA DE FACE)
Uma das mais importante partes da boquilha, é uma curva contínua e gradual que deve obedecer princípios e fórmulas matemáticas de geometria analítica, álgebra e trigonometria, é a face onde a palheta vibra contra ela.
Começa onde termina a mesa (table) sobre os trilhos laterais (side rails) se estende e se une ao trilho da ponta (tip rail).
Tem muita variação entre os fabricantes, principalmente pelas diversas opções possíveis.

A curva de face (facing curve) é responsável pela qualidade da performance e desempenho da palheta ao tocar.

POR SER UM ASSUNTO DE ALTA IMPORTÂNCIA VAMOS DETALHAR UM POUCO MAIS ESTA MATÉRIA.

A curva da face (facing curve) está diretamente relacionada com a abertura da ponta (tip opening) portanto, cada medida de abertura da ponta tem sua curva específica.


É muito importante que a curva se estenda igualmente nos dois trilhos laterais (side rails) essa igualdade é medida e verificada comumente em em 5 pontos do início ao final da curva.

São usados basicamente dois tipos de curvas na boquilha de sax, a RADIAL e a ELÍPTICA, o desenho abaixo mostra uma boquilha com a ponta (tip) para baixo e uma representação sem escala para facilitar o entendimento de como se encaixaria uma curva radial ou uma elíptica na curva de face (facing curve) da boquilha.
Não vou entrar no mérito de fórmulas, somente vou elucidar o conceito. 
Em função da abertura de ponta (tip opening) e do comprimento da face (facing length) vai existir um arco de circunferência de raio R que vai iniciar na ponta (tip) e tangenciar a mesa (table) isso é uma curva de face (facing curve) RADIAL, a alteração de uma ou das duas medidas citadas vai gerar um novo raio R e consequentemente um novo arco de circunferência.
Conclui-se que cada abertura de ponta (tip opening) combinada com um comprimento de face (facing length) terá sua curva específica, isto se aplica a todos os tipos de sax.

O mesmo conceito é utilizado para curva elíptica, só que com dois complicadores a mais, o primeiro é que a elipse possui dois raios R1 e R2 e diferentemente da circunferência onde todos os arcos são iguais, os arcos da elipse são diferentes uns dos outros e não são uniformes na sua extensão, então no caso da utilização de um arco de elipse na curva de face de uma boquilha temos que determinar o ponto de início do arco e para que lado vamos com esse arco, assim teremos uma curva ELÍPTICA.

CONCLUSÃO

A curva RADIAL sempre foi usada desde o início do sax e proporciona um sopro livre e despretensioso, podemos dizer que é muito boa e simples.

A curva ELÍPTICA por não ser uniforme na sua extensão oferece a possibilidade de termos uma curvatura mais acentuada próximo ao trilho da ponta (tip rail) favorecendo assim a emissão de de notas altas e altíssimas e uma curvatura mais suave no tangenciamento da mesa, não desfavorecendo dessa forma a emissão de notas graves e subtons.
Proposta que vai de encontro a tendências sonoras mais modernas e considerada por muitos como mágica.

PARABÓLICA é a curva bastante utilizada em boquilhas de clarinete, na verdade considerando o pequeno comprimento utilizado, vai ter um efeito bem semelhante a uma curva Radial.

Tendo como premissa no meu trabalho, oferecer uma boquilha com sopro livre, resistência adequada e com toque moderno, utilizo parâmetros nos meus programas para que seja indicada a curva ideal, ELÍPTICA ou RADIAL, conforme a característica pessoal de cada músico.


FACING LENGTH (COMPRIMENTO DA CURVA)

O comprimento da curva pode ser curto (short), médio (medium) ou longo (long), embora existam esses três parâmetros podemos ter medidas alternativas como medium short (médio curto), medium long (médio longo), extra long (super longo) ou extra short (super curto).
O comprimento da curva influi num sopro mais livre ou mais resistente como também no tipo de resposta da boquilha quanto a médios graves e agudos.

FACE CURTA (SHORT FACING) 

Este comprimento vai priorizar as notas agudas fazendo com que sejam respondidas com facilidade, em contrapartida vai dificultar a emissão de graves e subtons, pois reduz a área de vibração da palheta mais para a ponta e limita a expansão do som.
Dificulta o controle da emissão, como também pode estrangular a passagem do ar se a boquilha uma possui rampa muito alta.

FACE LONGA (LONG FACING) 

Este comprimento vai dar prioridade as notas graves e subtons, o som fica mais opulento e expansivo em toda extensão do sax, dá uma sensação abertura maior, produz um som vintage com resistência e controle, é aconselhável em boquilhas com rampa muito alta.
Dificulta uma resposta rápida e super agudos.

FACE MÉDIA (MEDIUM FACING) 

Este comprimento é intermediário entre os dois anteriores e é o mais usado entre os fabricantes de boquilhas e músicos, oferece resposta rápida em toda extensão, mais opções de palhetas, maior controle, maior versatilidade e facilidade de emissão.

Muitos músicos optam por medidas levemente maiores ou menores à da FACE MÉDIA (MEDIUM FACING) criando alternativas adequadas às suas embocaduras e seus objetivos de timbre, sendo elas, médio longa ou médio curta (medium long or medium short).

BAFFLE (DEFLETOR)

O defletor (baffle) é a parte interna que começa na ponta (Tip) e se estende para dentro da boquilha com comprimentos e formas que variam, como vamos esclarecer a seguir
Pode ser considerado uma das partes mais importantes da boquilha é onde o som tem origem.
A diferença básica do som vem do defletor, som escuro, som brilhante, som projetado, som contido, etc, se for tocar jazz, rock ou clássico as diferenças de tonalidade são criadas no defletor.
As formas do defletor são as que determinam essas variedades sonoras e têm basicamente quatro formatos.
Nas figuras abaixo os baffles (defletores) estão indicados em vermelho.



STRAIGHT (RETO)

Estende-se reto e baixo da ponta para a câmara, é considerado um dos primeiros formatos de defletor, é usado com pequenas aberturas e câmaras grandes tem som consistente em todos os registros e tende a um som escuro.
Favorece músicos que sopram forte, melhorando o brilho, foi usado nos anos iniciais do sax é bastante utilizado em boquilhas de clarinete.

ROLLOVER (ROLADO)

É localizado da ponta para dentro, é convexo, alto e curto,
geralmente utilizado em boquilhas com câmaras medias ou grandes proporciona um brilho sem perder os tons graves da câmara.
A construção do rollover é uma arte difícil de executar e pode dar um resultado oposto ao esperado.
Um rollover bem implantado vai propiciar um som com mais brilho, cor, ataque e projeção.
É o carro chefe do sucesso das boquilhas Otto Link e Meyer.

STEP (RAMPA)

É uma rampa alta que parte da ponta (tip rail) e se estende em direção ao fundo da boquilha, forma uma quina e cai para a câmara.
Essa rampa pode ter diversas alturas e comprimentos.
Proporciona um som brilhante e é o que mais projeta o som comparado aos demais defletores, permite utilização de aberturas de ponta maiores sem perda do controle.
Em contrapartida de oferecer um som brilhante para agudos e médios e uma ótima projeção e profundidade, compromete o desempenho do som encorpado dos graves.
É o carro chefe das boquilhas Dave Guardala. 

CONCAVE (CÔNCAVO)

Ao contrário do rolado (rollover) este defletor é formado por uma curva concava a partir da ponta da boquilha que produz um som muito escuro, oco e sem projeção.
É uma boquilha rara de se encontrar.

ESCLARECIMENTO :

Um defletor (baffle) estriado não é um tipo de defletor, mas sim um acabamento do defletor, abaixo as imagens mostram uma Dukkof Fluted Chamber (1950) e uma Gary Sugal 



Essas estrias dão a entender que proporcionam um som mais focado e direcionado num momento que as boquilhas eram produzidas com câmaras grandes e o som era disperso, difuso.
O Gary Sugal talvez tenha tido o mesmo propósito de sugerir um direcionamento, uma profundidade do som.

CHAMBER (CÂMARA)

Antes de falar diretamente sobre as características dos tipos de câmara, gostaria de fazer uma menção de forma simples sobre o conceito da câmara da boquilha, utilizando o princípio do criador do sax, Adolph Sax.
Imaginem um prolongamento do tudel mantendo a forma cônica dele até um ponto final, esse volume faltante teoricamente deve ser compensado com a câmara da boquilha.
Por isso que na afinação, enfiamos ou puxamos a boquilha no tudel, para o ajuste desse volume faltante.


A câmara é a área da boquilha localizada antes do furo (bore) e dependendo do seu tamanho/formato proporcionam um som mais encorpado e difuso, na Grande (large), mais centrado,focado e direcionado na Média (medium), mais exprimido na Pequena (small) e muito exprimido na Extra Pequena (extra small).
Considero a parte mais estável da boquilha, pois geralmente alteramos a rigidez da palheta, abrimos ou fechamos a abertura da ponta, alteramos o defletor, mas dificilmente alteramos a câmara.


Conforme a figura acima podemos notar que a classificação é feita através da comparação com o furo (bore), se a câmara for maior que o furo então é Grande, se for igual ao furo é Média, se for menor que o furo é Pequena, e se for bem menor que o furo então é Extra Pequena.

Esses parâmetros são válidos para todos os tipos de sax.

Na boquilha de clarinete a câmara (chamber) é a continuação do furo (bore), que por princípio tem o mesmo diâmetro do furo do instrumento e termina na Garganta (throat).

É COM MUITA SATISFAÇÃO QUE CONCLUÍMOS ESTA MATÉRIA REFERENTE A PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA, MESMO SENDO UM ASSUNTO UM TANTO TÉCNICO/TEÓRICO, ESPERO TER TRANSFERIDO AOS AMIGOS SAXOFONISTAS E CLARINETISTAS INFORMAÇÕES BÁSICAS E ESCLARECEDORAS SOBRE BOQUILHAS.

A PARTIR DAS PRÓXIMAS PUBLICAÇÕES VAMOS TRATAR DE ASSUNTOS MAIS OBJETIVOS, PRÁTICOS E DESCONTRAÍDOS.

AGRADEÇO A TODOS O CARINHO E ATENÇÃO AO BLOG.   
  

  











  



































PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA 2/3

DANDO CONTINUIDADE AO ASSUNTO VAMOS DISCORRER SOBRE MAIS ALGUMAS PARTES DA BOQUILHA.

TABLE (MESA)

Mesa é a parte plana da boquilha onde assenta a palheta, ela começa na parte traseira da boquilha e se estende sobre os trilhos laterais (side rails) e termina onde começa a curva para a ponta (facing curve). É sobre a mesa que a abraçadeira comprime a palheta. 
Uma mesa um pouco mais comprida, mais curta, mais estreita ou mais larga não interfere no som.
A mesa deve ser uma região perfeitamente plana, caso ela tenha uma barriga (convexa) vai tender a entortar a palheta para baixo fechando a abertura, caso tenha uma depressão (concava) vai tender a levantar a palheta aumentando a abertura, tais diferenças comumente não são visíveis a olho nu e influem na qualidade do som.
A seta verde indica a pressão da abraçadeira e a vermelha a tendência do movimento da palheta.
                                                 

Alguns fabricantes de boquilhas para clarinete criam uma área côncava no meio da mesa alegando que esse detalhe ocasiona uma sucção na palheta proporcionando uma maior vibração. Essa concavidade deve ser bem suave para não interferir negativamente no som, o melhor perfil de concavidade é o observado nas boquilhas Vandoren.

THROT (GARGANTA)

É a parte interna da boquilha de passagem da câmara (chamber) para o furo (bore). A garganta pode ter vários formatos como redonda, meio redonda, quadrada, oval.
A garganta está ralacionada com o tamanho da câmara e o formato das paredes internas (walls inside) o seu formato e dimensão oferece maior ou menor resistência ao fluxo de ar, como também proporcionam um som mais centrado, direcionado ou mais aberto e difuso.














BORE (FURO)

É o furo na parte de traz da boquilha onde encaixa a cortiça do pescoço, tudel (neck), tem um diâmetro padronizado para cada tipo de sax.



SHANK (HASTE)

É a parte traseira externa da boquilha que envolve o furo (bore) geralmente é usada para identificar a marca da boquilha ou se fazer um desenho ou uma personalização, começa no final da mesa e termina no fim da boquilha, existem modelos com haste (shank) mais longos ou mais curtos em função da posição de afinação da boquilha.












RAMP (RAMPA)

É a porção inclinada interna da boquilha que começa na parte traseira da janela (window) e se inclina para dentro na direção da câmara (chamber), tem um ângulo de inclinação definido. 


RAMP TIP (PONTA DA RAMPA)

É a espessura do começo da rampa junto a janela, existe uma correlação entre essa espessura a espessura do trilho da ponta (tip rail) e a espessura da ponta (tip thickness).

FACING (FACE)

Podemos chamar de face (facing) toda a face da boquilha que contém a mesa e a curva até a ponta (tip).


Na parte final deste assunto (3/3) vamos discorrer sobre o Facing curve (curva de face), Facing length (comprimento da curva), Tip opening (abertura da ponta), Tip thickness (espessura da ponta), Beack (bico), Baffle (defletor) e Chamber (câmara).










  




  

PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA 1/3

         PARTES E FUNÇÕES DA BOQUILHA

Neste artigo sem pretender entrar em detalhes técnicos construtivos como fórmulas, números, etc, tenho como objetivo esclarecer as partes da boquilha, suas funções e a influência que têm na emissão do som. Vão perceber a interação e sinergia entre as partes e as inúmeras combinações possíveis para produzir diferentes tons, vou seguir a nomenclatura já descrita no artigo ESTRUTURA e NOMENCLATURA da BOQUILHA.

TIP CONTOUR (CURVA DA PONTA)

A curva da ponta da boquilha deve ser a mesma da curva da palheta, pois na vibração da palheta quando esta encontra a boquilha deve haver uma perfeita superposição, caso contrário haverá vazamento de ar e perda do controle da emissão do som.
            
TIP RAIL (TRILHO DA PONTA)


O trilho da ponta é uma faixa plana de pequena largura onde a palheta sela quando vibra e encontra a boquilha (parte da curva da ponta virada para a palheta) as suas pontas tem continuidade para os trilhos laterais e tem significativa influência na resposta da boquilha, se muito largo o som tende a morrer se muito fino o som tende a chiar. Existe uma correlação entre a largura do trilho da ponta a espessura da curva da ponta e a espessura da ponta da rampa que vamos esclarecer nos artigos seguintes.
                                    
SIDE RAILS (TRILHOS LATERAIS)

Os trilhos laterais são aqueles onde a palheta sela de cada lado da janela, eles tem uma parte plana que faz parte da mesa e uma parte curva que faz parte da (FACING CURVE) Curva de Face. A largura deles tem menos importância que a do Tip Rail, se a janela for ampla eles mais finos ou mais largos não influenciam muito, os trilhos laterais grossos favorecem músicos em desenvolvimento, pois tendem a impedir um som estridente e propiciam um fluxo de ar mais resistente.
                                       

WINDOW (JANELA)

A janela é a área aberta entre os trilhos laterais o trilho da ponta e a mesa. A variação que existe é uma janela mais longa, esta vai somente aumentar não significativamente a câmara, a variação do comprimento das janelas tem mais a ver com fator estético ou processo de produção. No sentido transversal só tem a ver com a largura dos trilhos laterais.
                                        


















Considerando boquilhas de clarinete elas tem um formato reto padronizado 



WALLS OUTSIDE (PAREDES DE FORA)

As paredes de fora são uma opção anatômica do fabricante ou processo de produção, podem ser mais estreitas (retas) ou mais largas (abertas). A única influência no som seria maior ou menor quantidade do material utilizado no projeto.

       A IMAGEM ANTERIOR A ESQUERDA ILUSTRA TAMBÉM ESTE ITEM

WALLS INSIDE (PAREDES INTERNAS)

As paredes internas são as opostas às externas estão entre o fundo da boquilha e os trilhos laterais, são geralmente concavas ou retas, sua influência está na formação da câmara e depende de cada projeto, as retas tendem a produzir um som mais centrado e projetado as concavas um som mais volumoso e escuro.
                                        











LIGATURE LINES (LINHAS DA ABRAÇADEIRA)

As linhas da abraçadeira na verdade são apenas referências para o lugar da abraçadeira, normalmente ela é assentada no meio do comprimento da casca da palheta, como a mesa se estende bem mais para frente desse ponto teoricamente não há uma influência direta no som. Alguns músicos entendem que colocando a abraçadeira mais para traz, a palheta fica com mais liberdade para vibrar (Dexter Gordon), eu particularmente entendo que possa haver alguma variação, mas mais em função do conjunto escolhido de boquilha, palheta e abraçadeira. Não existe uma regra, o músico deve testar e encontrar sua melhor posição.

MATERIAL (MATERIAL)

Como regra geral materiais mais macios produzem som mais escuro com menos projeção e materiais mais duros produzem som mais brilhante com mais projeção. Os mais usados são Hard Rubber(Ebonite) e Bronze, mas há uma grande variedade de materiais e ligas de materiais usados em boquilhas à disposição dos músicos.

AERODYNAMICS (AERODINÂMICA)

Embora não seja especificamente uma parte da boquilha, mas sim um acabamento interno, eu particularmente considero que a aerodinâmica exerce influência na emissão do som, existem boquilhas que apresentam significativos obstáculos à fluência do ar por ela, a partir da curva da ponta, na ponta da rampa, na garganta, nas paredes interiores, no defletor e de modo geral na parte interna da boquilha. Entendo que todo acabamento interno deve ser liso e até polido, com curvas e contornos suaves na direção do fluxo do ar.


NA PRÓXIMAS DUAS POSTAGENS VAMOS CONCLUIR OS ITENS FALTANTES DO ARTIGO, ESTRUTURA E NOMENCLATURA DA BOQUILHA.